O PETAR - PARQUE ESTADUAL TURÍSTICO DO ALTO RIBEIRA - é um dos parques
mais antigos do Estado de São Paulo, criado em 1958. O PETAR conta com
uma área de 35.712 ha, visando resguardar e proteger o rico patrimônio
natural da região do Alto Ribeira. Esta fica no sul do estado de São
Paulo bem próximo da fronteira com o Paraná nos municípios de Iporanga
(75%) e Apiaí (25%), representada pela importante biodiversidade dos
remanescentes de mata atlântica, pelos sítios paleontológicos,
arqueológicos, históricos e por abrigar uma das províncias
espeleológicas mais importantes do Brasil com mais de 300 cavernas
cadastradas pela SBE - Sociedade Brasileira de Espeleologia.
A existência de matas bem conservadas, aliada à característica de relevo
escarpado e cárstico, que faz frente aos ventos do Atlântico Sul,
resulta em grandes quantidades de chuva, cuja água é armazenada e
escoada por densa drenagem superficial e subterrânea. A região funciona
como um enorme reservatório de água para o futuro. Deslumbrantes
cachoeiras, formadas por rios cristalinos, lançam-se rumo às planícies,
através de altitudes que variam de 200 a mais de 1.000 metros.
orrendo rápido pela acentuada declividade desta porção da Serra de
Paranapiacaba, as águas pluviais, saturadas de ácido carbônico
proveniente de solos altamente húmicos dos seus arredores, penetram nas
fissuras rochosas e desgastam continuamente o calcário, abrindo dutos e
galerias, originando um dos espetáculos mais incríveis da natureza: as
cavidades naturais ou cavernas calcárias. Seus impressionantes e
magníficos espeleotemas (estalactites, estalagmites, cortinas, colunas,
flores, etc.) atestam esta contínua e lenta evolução.
Todo um mundo à parte, condicionado pela ausência de luz, encerra-se
nestas cavernas, com espécies adaptadas a viverem apenas nestes
ambientes, os troglóbios como o bagre-cego (Pimelodella kronei) ou o
grilo cavernícola, entre outros, ou dependentes dela, os troglófilos
como algumas espécies de morcegos. O alimento para pequenos insetos,
aracnídeos, crustáceos, peixes, entre outros, é trazido tanto pelo rio
que corta a caverna, como pelas fezes dos morcegos. Esta característica
aumenta ainda mais a complexidade da biodiversidade local.
A contigüidade de outras Unidades de Conservação vizinhas, como o Parque
Estadual Intervales – PEI, Parque Estadual Carlos Botelho – PECB e
Estação Ecológica de Xitué – EEX, aliado à existência de uma área de
entorno ainda conservada, assegura à região um contínuo de mata íntegra
(>200.000 ha) que permite a existência de espécies faunísticas de
amplo território, como a onça-pintada (Panthera onca), o mono-carvoeiro
ou muriqui (Brachyteles arachnoides) e gavião-real ou harpia (Harpia
harpya). Cerca de 30 outras espécies de vertebrados encontram-se na
lista de ameaçados de extinção, como a rara ave marialeque
(Onychorhyncus coronatus), a ágil lontra (Lutra longicaudis) e curioso
cágado (Hydromedusa maximiliani), entre outros.
Minerações ilegais, extração de palmito, caça e pesca, contaminação de
rios, desmatamentos, são algumas formas de agressão que ameaçam o PETAR.
Além dos trabalhos de fiscalização, os esforços de preservação têm
envolvido as comunidades tradicionais que vivem na Unidade e na região
de entorno do Parque, criando alternativas econômicas como o ecoturismo,
com formação de monitores locais. Sob a responsabilidade do Instituto
Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente, a implantação do PETAR é
realizada por equipe técnico-administrativa e de guardas-parque (vigias
e guias), contando com a participação do instituto Geológico, Fundação
Florestal, Prefeituras Municipais de Iporanga e Apiaí, Polícia Florestal
e de Mananciais, Organizações Não Governamentais (espeleológicas e
ecológicas), pesquisadores científicos e um grupo voluntariado de apoio,
além de outras instituições.



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